Jovens Mães (2025) | Juventude em Marcha
- Daniel Araújo

- há 3 dias
- 2 min de leitura

Sempre gostei muito da abordagem que Jean-Pierre e Luc Dardenne aplicam ao seu cinema. Dessa forma de olhar para determinadas questões do mundo real a partir de um sentido do "como se fosse" sem que a mensagem não necessariamente tivesse de vir imbuída de uma conotação moralizante ou normativa do que seria o certo ou o errado considerando os pontos levantados pelas obras.
Em Jovens Mães (2025), seu mais recente filme lançado, os cineastas voltam o olhar para as vidas dessas garotas que ainda não estão preparadas para lidar com a maternidade e suas variantes no mundo, mas que mesmo assim vão encarando a tarefa de moldar novas vidas no fluxo do próprio reordenamento que as vivências delas mesmas ainda pedem de si.
No nível da forma, tudo é apresentado de modo muito direto. Não há prólogos, apresentações de personagens de modo introdutório. A primeira cena e sua sequência naturalmente são iniciadas como se pegássemos a conversa que a personagem estaria tendo com alguém no "meio do caminho".
Em termos de analogia, podemos até pensar numa estrutura seriada, no sentido de um episódio iniciado a partir de um segmento já acontecido ou em curso.
E à medida que somos apresentados a cada uma das meninas, a estrutura em si do filme enquanto exercício formal vai se revelando tendo como base um jogo muito sútil de temporalidades intercambiáveis. Importante notarmos como a montagem exerce um papel fundamental na proposição dessas cronologias que são tecidas de modo rizomático, até. Nesse sentido, é muito comum percebermos como os segmentos que apresentam Jéssica sempre nos levam a uma correlação direta com a situação apresentada para Ariane.
Como se ambas as personagens estivessem conectadas a partir das suas questões em uma linha do tempo entrelaçada (in)distintamente. E para a mãe de Jéssica, como a pessoa que não quis seguir com a tarefa de criar a filha, se desse a decisão, no presente, de Ariane, a partir do ponto onde ela mesma decide, também, deixar a filha pequena aos cuidados de uma família de acolhimento.
É como se o filme propusesse uma intertextualidade que só parte de dentro da própria linha temporal estabelecida por ele considerando essas idas e vindas dos rumos da maternidade nos dias de ontem e nos de hoje.



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