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  • Daniel Araújo

Dossiê 17º For Rainbow: A importância de uma reinterpretação

Daniel Araújo compôs o Júri da Crítica do 17º For Rainbow - Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual e de Gênero com Beatriz Saldanha e Messias Adriano



A variedade e a diversidade que o For Raibow traz na sua forma de traçar um panorama da produção audiovisual brasileira na contemporaneidade, se assume anualmente em uma escala que também reverbera essa multiplicidade de manifestações na arte do filme.


Na sua mais recente edição realizada de 7 a 14 de dezembro de 2023, o festival elencou distintas obras dessa vocação brasileira de se discutir como a sexualidade e o gênero evocam a emergência do trato sobre a violência institucionalizada ou velada na nossa sociedade, bem como na força de uma reinterpretação dos cursos da nossa própria história.


Um trabalho como "O Cavalo de Pedro", por exemplo, expõe a força de estarmos atentos para o uso da cinematografia na contação de histórias outras que não aquelas traçadas nos livros didáticos sobre a história do Brasil. Isso é apenas sua base, obviamente. Porque para além do tom de escárnio que a obra deduz, ela opera essa espécie de recapitulação e refazimento de imaginários sobre os rumos interpretativos da historiografia nacional.


Da mesma forma, encontramos em Pirenopolynda, a implicação de uma crítica em torno da razão e do direito de ser ou estar em qualquer lugar. Interessante como esse contradiscurso nada parece ter a ver com um desejo de resposta espelhada a uma ideação oposta, ou mais precisamente à intolerância do mundo à volta das personagens centrais da narrativa.


Tita Maravilha não quer responder aos cidadãos de Pirenópolis com violência, muito menos utilizando de um discurso celebratório acerca de qualquer catarse vivenciada a partir das agruras as quais ela e suas amigas devem enfrentar por assumirem suas sexualidades em um cotidiano pautado por perspectivas dogmáticas, conservadoras e heteronormativas. Contra tudo isso, elas sonham com outras realidades, afetivas e decoloniais.


Fora dos limites territoriais brasileiros, Manauara e Luiz Felipe Lucas, traçam essas linhas metafóricas e também concretas acerca da experiência do ser LGBTQIA+ no território europeu. Aqui, igualmente, não se trata de glamourizar o gesto migratório a partir da ideia do sonho de se "vencer em algum ponto da vida".


O que é vencer? Esse parece ser um questionamento que o filme nos coloca o tempo todo ao longo da sua duração. Não há resposta exata a isso, para o bem ou mal dessa questão. Ser um migrante ou mesmo um alguém de passagem em uma outra cidade brasileira que seja, passa também, por isso. Resistir se torna, logo, mais que uma palavra, mas um gesto de ação dessas vidas em diversidade no mundo. 

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