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AO OESTE, EM ZAPATA | UM LUGAR DE MEMÓRIA E ETERNIDADE

  • Foto do escritor: Raiane Ferreira
    Raiane Ferreira
  • 3 de out. de 2025
  • 2 min de leitura


Quando falamos de cinema, falamos também da potência da imagem e do som que, ao irromper a matéria fílmica, transborda sensibilidade e presença. A câmera não apenas documenta: ela captura o instante, eterniza instantes e nos convida a habitar o tempo do outro. É nesse gesto que se inscreve o primoroso documentário “Ao Oeste, em Zapata”, do cineasta espanhol radicado em Cuba, David Bim.


Foram oito anos até a conclusão da obra. O filme acompanha Landi e Mercedes, um casal que vive em Ciénaga, no sul de Cuba, onde a sobrevivência exige separações dolorosas. Para sustentar a família, Landi enfrenta o pântano em busca de crocodilos, numa caça clandestina que exige silêncio, astúcia e resistência. Enquanto isso, Mercedes cuida da casa e do filho autista, atravessando as dificuldades agravadas pela pandemia.


A rotina de ambos é marcada pela urgência e pela subsistência, mas também pela resiliência. A paisagem pantanosa, com seus vazios e cheias, funciona como metáfora de um entrelugar, um limiar onde tudo se move, onde a vida é fluxo e incerteza. A câmera de Bim acompanha esse universo com delicadeza: seus longos planos-sequência respeitam o tempo dos gestos, a dureza dos corpos, a densidade do trabalho. O preto e branco sublinha texturas e contrasta luzes, enquanto a sonoridade do ambiente nos faz mergulhar na pulsante natureza.


Do outro lado da narrativa, está Mercedes. Sua presença sustenta o lar e o afeto, mesmo diante da ausência constante do marido. Há algo de profundamente humano na maneira como o filme registra essa mulher: seu corpo, sua voz, seus movimentos carregam o peso da sobrevivência, mas também a força de quem insiste em cuidar e em amar.


“Ao Oeste, em Zapata” é, assim, um documentário que se recusa a espetacularizar a miséria ou a reduzir seus personagens a símbolos. Pelo contrário: respeita-os, colocando em primeiro plano vidas que normalmente permanecem invisíveis. Um retrato de resistência, marcado pela dureza, mas também pela ternura, e que encontra no cinema um lugar de memória e eternidade.


1 comentário


Sam Winchester
Sam Winchester
17 de mar.

I love how Raiane Ferreira highlights the emotional depth of “Ao Oeste, em Zapata.” The way the film captures the essence of Landi and Mercedes’ lives over eight years truly showcases the power of documentary filmmaking. It’s fascinating to think about how the camera not only records events but also invites us to share in the experiences and emotions of others. This kind of storytelling can create a profound connection between the viewer and the subjects, reminding us of the beauty and complexity of everyday life.

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