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Jogador Nº1 (2018), de Steven Spielberg

 

Steven Spielberg é um dos responsáveis pela criação do cinema de blockbuster. Suas criações permeiam toda cultura pop dos anos 70, 80, 90. Além disso, seu trabalho influenciou diversos outros filmes que se tornaram parte dessa cultura. É comum a geração de hoje, seja de cineastas ou de diversos outros artistas, olhar com uma nostalgia ou saudosismo para essa época. Nesse contexto que surgem obras como It (2017) Strange Things (2016 – ). O próprio livro homônimo ao filme é publicado em 2011 acompanha essa tendência. Contudo será que o filme é apenas auto-referencial a essa cultura ou ele traz algo a mais?

 

A escolha de Spielberg para a direção foi o maior acerto para o filme. Por ter vivido essa época e, sobretudo, por ter influenciado todo esse período, o diretor tem total controle do processo criativo do filme bem como nas diversas referências. Isso faz com que o filme não caia, por exemplo, nos erros das diversas séries e outros filmes derivados que buscam nos anos 80 sua fonte de inspiração. Enquanto os outros procuram no material fonte apelos que possam ser utilizados para vender sua obra, Jogador Nº1 tem uma atitude que vai um pouco além disso, não apenas referencial, mas reverencial.

 

Sem entrar muito no enredo para não soltar spoiler. O filme se passa em um futuro distópico em que a população se diverte com uma plataforma de realidade virtual chamada OASIS onde tudo é possível. Ele conta a história de Parzival e seus amigos que buscam dentro do jogo as respostas para os enigmas deixado pelo criador do programa. A paixão e reverência a cultura pop são explícitas por meio da fala do criador do programa, assim através desta aventura, é possível ver como todos esse elementos são trabalhos.

 

Em relação aos termos mais técnicos, o roteiro é bem desenvolvido, mas um muito explícito em alguns diálogos. A construção dos personagens é boa, mas fica tudo no campo do clichê (o que pessoalmente para mim não é um problema). Os pontos de virada são bons e o roteiro trabalha bem com as referências dos filmes da década de 70, 80 e 90. Aliás, vale  a pena destacar a cinematografia de um desses filmes que foi recriada perfeitamente aqui, incluindo elementos da trilha sonora. A fotografia é bonita tanto no mundo real (com tons mais pastéis, lembrando continuamente ao espectador o futuro distópico) quanto dentro do OASIS em que as cores ficam mais saturadas e variadas. Outro elemento que vem forte no filme é a trilha sonora, tanto a original com músicas temas que dão personalidade ao filme e aos seus personagens, quanto nas músicas já existentes no mundo real.

 

Jogador Nº1 (Ready Player One, 2018)  trabalha bem com esses elementos saudosistas e nostálgicos. Ele não vem com o comum oportunismo de algumas obras, seu maior mérito é mostrar sua reverência a cultura pop do passado, mas também preparar o espectador para o que possa a vir no futuro. Reconhecendo assim a importância do seu material fonte, mas sem se tornar refém dele para divertir seu espectador. 

 

Publicado pelo Autor no blog Crítica In Sena

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