PARCEIROS

Ativo 1.png
Ativo 2.png
Ativo 3.png

© 2019 Aceccine - Associação Cearense de Críticos de Cinema

O Lagosta (2015), de Yorgos Lanthimos

24/02/2017

Ver um filme sem saber nada a respeito é sempre melhor, mas às vezes uma pequena ideia do que trata o enredo acaba sendo um bom motivo para que um espectador que jamais veria um filme resolva dar uma chance. É o caso de um filme com um nome tão pouco comercial como "O Lagosta" (2015). No meu caso, fiquei particularmente interessado no tema da imposição de estar com alguém e, pior, de essa sociedade distópica também punir de maneiras extremamente desumanas essas pessoas. Até faz lembrar um filme de François Truffaut, "Fahrenheit 451", que mostra uma sociedade proibida de ler.

 

Mas, por incrível que pareça, "O Lagosta", do diretor grego Yorgos Lanthimos, consegue ser ainda mais cruel, por mais que haja um rincão de humor negro ao longo de toda a narrativa, embora ela vá se tornando cada vez mais sombria, perturbadora e melancólica à medida que se aproxima do fim. Na trama, Colin Farrell é David, um homem recém-separado da esposa, que justamente por isso, por estar agora solteiro, é obrigado a encontrar uma nova parceira em 45 dias. Para isso, ele é levado a um hotel que tem pessoas da mesma situação que ele. Lá as regras são bem rígidas. Não se pode simplesmente enganar ou fazer casamentos de conveniência, embora muitos tentem. Caso elas falhem, essas pessoas serão transformadas em animais. Literalmente. 

 

Inclusive, uma das primeiras perguntas que a pessoa faz ao se dar entrada neste programa é em que animal a pessoa gostaria de ser transformada caso ela não consiga alguém. David, que já anda acompanhando de um cão, que na verdade é seu irmão, diz que quer ser transformado em uma lagosta, pois é um ser que vive até os cem anos e tem sangue azul. Vemos que a própria ideia básica do filme já é, no mínimo, intrigante. Mas "O Lagosta" vai além e novas surpresas surgem. 

 

Para completar o tom de estranheza, há uma narradora mulher que conta a história de David a partir do momento de sua partida para o tal hotel, sabendo detalhes das pessoas que ele encontra lá. Essa narradora será conhecida da gente quando David conhecer outra sociedade, uma sociedade ilegal e que mora na floresta que, como uma forma de se rebelar contra o sistema, prega o total desapego da pessoa ao amor romântico ou físico. Assim, David, portanto, prova do pior dos mundos: da impossibilidade de estar só e da impossibilidade de namorar ou beijar ou transar com quem quer que seja. A líder dessa facção rebelde é vivida por Léa Seydoux, que está muito bem na pele dessa líder dura e perversa. No rico elenco, Rachel Weisz comparece com um papel bem importante de decisivo. 

 

Quanto a Colin Farrell, ele está particularmente muito bem como esse homem à deriva em situações desesperadoras. Seu papel em "O Lagosta" lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro. A segunda, aliás. A primeira foi com "Na Mira do Chefe", de Martin McDonagh, que é, também, uma comédia de humor bem particular.

 

Publicado pelo autor no blog Diário de um Cinéfilo.

Please reload