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NOIA 2016 | A inventividade dos jovens realizadores

03/01/2017

Escolher o vencedor do prêmio da crítica do 15º NOIA - Festival do Audiovisual Universitário foi um processo doloroso. O festival teve uma boa seleção de curtas, com uma variedade de gêneros, estéticas e visões de mundo e apenas uma constante: a inventividade dos jovens realizadores de cinema universitário no Brasil. Nossa seleção final foi "A Rua das Casas Surdas", um belo trabalho que é especialmente relevante no atual contexto político internacional.

 

Inicialmente prosaico, "A Rua das Casas Surdas" revela seu caráter político à medida em que seus personagens descem os andares de um edifício enquanto jogam conversa fora. Em sua representação de agentes da ditadura como funcionários públicos - pessoas comuns que reclamam da vida conjugal e conversam trivialidades antes de darem início a uma sessão de tortura - o filme de Gabriel Mayer e Flávio Costa revela a face desconfortavelmente humana por trás de violências e arbitrariedades institucionais.

 

Quase por coincidência (seu plano original era fazer um documentário sobre o avô, que abandonou a família décadas atrás), o jovem cineasta Arthur Leite encontrou em sua avó Rosa uma personagem perfeita para "Abissal", explorando o peso de memórias antigas em pessoas que se acostumaram a enterrar seus ressentimentos - e nas gerações mais novas que nunca tiveram a chance de fazer o mesmo. Apesar da narração levemente expositiva, o filme consegue retratar sua personagem de forma agradavelmente não-sentimental, e a reação de Rosa na última cena, quando questionada se ainda tem algo a dizer, é um dos momentos mais marcantes entre as produções nacionais deste ano.  

 

Pertencente a um gênero pouco explorado no cinema nacional, "Enzo" é uma narrativa de horror psicológico que impressiona pelo domínio de ritmo e pelas referências do diretor Daniel Duarte Sena. Inventivo nas transições entre cenas, o curta é reminiscente de obras que exploram o horror de pessoas traumatizadas perdendo a noção da realidade, como Alucinações do Passado e a série de video games Silent Hill, utilizando a estética crua do Novo Extremismo Francês. Destaque para o final ambíguo que abre margem para interpretações distintas e que provavelmente recompensará uma futura revisita.

 

George Pedrosa integrou o júri Aceccine do 15º NOIA - Festival do Audiovisual Universitário, em novembro de 2016.
 

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