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Olhar do Ceará 2016 | 39 curtas ou quase 11 horas de cinema em cinco dias

02/07/2016

"Cinemão", de Mozart Freire

 

Dia 16 de junho de 2016 começava mais um Cine Ceará. E se a edição 2015 me reservou compor o primeiro júri, o da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), a 26ª edição do Festival Íbero-Americano também reservou uma estreia.

 

A Associação Cearense de Críticos de Cinema (Aceccine) havia sido fundada há poucos meses e em seu primeiro Cine Ceará uma missão bem especial: julgar 39 curtas cearenses na Mostra Olhar do Ceará. O primeiro prêmio da Aceccine carregava um misto de peso e responsabilidade, e que dividi com os outros dois membros do júri, Diego Benevides e George Pedrosa. Além do título, o prêmio carregava outros dois bônus ao vencedor, o convite de exibição na TVC e um cheque-incentivo de R$ 5 mil oferecido pela Unifor.

 

Foram cerca de 10 horas de sessões no Cinema do Dragão-Fundação Joaquim Nabuco. Em meio a um cinema com a diversidade da diversidade, de gêneros cinematográficos a gêneros sociais, sexuais e conceituais, tivemos obras de ficção, experimentais, dramas, documentários, muito P&B, sonhos filmados e até uma mescla de gêneros e narrativas.

 

O documentário “Botes Bastardos”, de Pedro Cela, parte de uma ideia simples, é um olhar (simples), sobre um trabalho (simples) e que acerta em quase tudo. Simplesmente assim. Destaque para a sua narrativa e o uso do seu tempo – como a própria construção de um barco –, além da montagem, direção e fotografia. Para mim, um dos melhores entre os 39 em competição.

 

Em "O Homem que Virou Armário", de Marcelo Ikeda, percebemos uma fotografia redonda, clima meio "Quero Ser John Malkovich" e "Brazil: O Filme", mas com uma história que já vimos antes. Na trama, um recorte da repetição em vida, da vida e do que podemos nos tornar com isso, a salvação através do amor contada por meio de uma linguagem que brinca com a fantasia. Mas não emociona.

"Ponte Velha", de Germano de Sousa, traz uma bela história de amizade, cheio de conversas nostálgicas, e apresenta um ótimo passeio pela cidade de Fortaleza – principalmente pelo Centro. Muitos pontos para a produção, montagem e direção de atores. Só não precisava – praticamente – desenhar a história ao final.

 

O jovem Mozart Freire faz de "Cinemão" um belo exercício de estilo e destila em tela imagens glamourizadas de uma sessão de cinema do centrão de Fortaleza. O foco dos personagens é a pura busca pelo prazer e uma noite de aventuras sexuais. Forte e bonito, tem um plano final inventivo e arrebatador narrativamente.

 

O documentário "Antes da Encanteria", de Elena Meirelles, Gabriela Pessoa, Jorge Polo, Lívia de Paiva e Paulo Victor Soares, traz um novo e inventivo olhar para o cinema, para a força de um coletivo artístico, para a diversidade de gêneros, e um grito artístico necessário. Além do prólogo, que é arrasador, é um curta que arrisca para acertar, bem no meio da criatividade. O plano final revela – de forma literal – não apenas a cara de quem faz a arte, mas quem é/o que é a arte, e a sua própria necessidade de se reinventar.

 

Drama emocionante, "Os Olhos de Arthur", de Allan Deberton, tem um lirismo absurdo, e o luxuoso auxílio de uma produção classe A. É um produto muitíssimo bem acabado. Impossível não se envolver e se perceber aos olhos do “menino” Arthur, que apresenta também uma interpretação digna de nota. Para fechar, ainda temos uma poesia visual (o peixe),e um final aberto a interpretações.

 

Daniel Herculano integrou o júri Aceccine da Mostra Olhar do Ceará no 26º Cine Ceará - Festival Ibero-americano de Cinema, em junho de 2016.

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